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sábado, 10 de dezembro de 2011

Modo de Usar

usufruto 
substantivo masculino
1. Acto.. ou efeito de usufruir ou de gozar os frutos ou rendimentos de alguma coisa que pertence a outrem.
2. Direito proveniente de usufruto.*


Uso o fruto. Fruto de plantação, cultivo e colheita.



O usufruto só pode ser estabelecido sobre coisa inconsumível, porque a consumível não pode ser usada sem que se lhe destrua a substância.**

Uso gente - casamento - uso terra - produção - uso tempo - desperdício.



*http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=usufruto
**http://pt.wikipedia.org/wiki/Usufruto

terça-feira, 12 de julho de 2011

Santana da Barra

Como posso? É egoísmo. Constata Francisca em cada nova situação - mulher livre não é fácil.... de ser. Mas todos confundem o que é ser livre. Confundem liberdade com libertinagem. Queridos, não é bem assim. Nem toda interpretação é uma realidade. A realidade é uma sintonia de loucuras. Só isso. E isso faz acontecer. Não são necessárias palavras e blablablas. Todos sabemos o que são a "aleatoriedade desses algorítmos". 

Senta no táxi. Santana outra vez - não já havia decidido que esse obsoleto não mais faria parte de sua vida? É o que tem. Não tem Tu, vai tu mesmo. Esperar mais tempo na chuva é se molhar e acabar por tornar o estofado de um outro carro em um estofado de um Santana. Pra que fazer isso consigo e com os outros? Tem que se ter consciência social.

A casa demora pra chegar. É como se não pudesse controlar o relógio - do táxi ou do pulso que pulsa no seu próprio tempo? Francisca respeita seu pulso, atrasa o do pulso e desconfia do taxista que aproveita a alta temporada para explorar estrangeiros. "Não é possível que eu seja estrangeira em minha terra" - tanto pode ser que pegou o Santana.

Mas eles continuam circulando. Apesar de todo boicote - sobrevivem da necessidade em um dia de chuva ou de um momento em que todos os cariocas decidem lotar as linhas telefônicas de uma cooperativa. Acabam por não cooperar com o cliente, só entre si. Quantas vezes Francisca foi jogada à sorte de uma imensa ladeira ou de uma madrugada de dedo em riste à espera de um carro que servisse de passagem.

Quem passavam eram eles. Santanas vazios e todos os outros cheios. Foi a falta de paciência - esta em Francisca... não adianta. Voltar ao colo da mãe ou ao abraço do pai contam mais que uma janela que não abre. A paisagem é melhor ao vivo, no passo lento na orla, ou na trilha sonora que observa as nuvens no alto das montanhas a formar a próxima tempestade - tempestade de garoa, conhece? É pior que gota gRossa da copa das árvores... velho ditado, não se vê a floresta quando se esconde nas árvores.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Não estou vendo (1.000 olhos)

"Se conseguir encontrar um gato preto, em um quarto escuro, usando óculos, me diga como"



...


Joga búzios, tira cartas, lê borras de café, ouve pessoas. Sula da Ciranda coloca seu futuro em palavras.

Escreva o nome do seu amado num pedaço de papel e em cima do nome dele escreva o seu. Repita isso por sete vezes no mesmo papel. Depois, coloque em prato e despeje mel por cima. Para outras simpatias, Mãe Marlena.

Sabia que seu signo não diz tudo sobre você? Faça sua carta astral com Maria Lua e entenda como a energia dos planetas e das estrelas te afetam.

Quem semeia nabos, colhe nabos. É como 2 e 2 são 4. Sou seu vô e tenho experiência - além de um diploma em economia.

O diabo se instala onde não há deus. E deus não falha, quem falha são os homens. Para isso, nossa igreja  da luz oferece o caminho para que não se desvie e se feche os olhos para a escuridão.

O último romance de Roman Savon nos permite ter um novo olhar para as nossas relações. Sua delicada descrição da atual sociedade lança uma nova interpretação da sutileza dos nossos gestos para que não deixemos a correria do dia-a-dia passar por cima de nós e de nossas prioridades.

A interferência na sociedade é a pauta do Movimento Revolucionário. Fazemos a diferença com uma ação firme, sempre discutida, que visa uma maior inserção política de grupos minoritários e marginalizados.

Feijão + Música = vida.

Obrigada a todos pelos comentários de feliz aniversário.

Uma racionalização da própria incoerência é uma forma de se colocar no mundo e admitir suas faltas, se ver como ser humano. Analise por palavras, coloque para fora... como mesmo era aquele cachorro no seu sonho?

terça-feira, 31 de maio de 2011

"Something's changing inside you, don't you know?"

"Não há nenhum outro lugar onde eu poderia estar" pensou a pétala no curso do rio. A cada obstáculo, a água mudava seu rumo... criava um braço à esquerda, passava por baixo, mas ia adiante. E o que ficou pra trás? Acúmulos do resto passado.

"Não há nenhum outro lugar onde eu poderia estar" considerou a pétala nas voltas que dava sem chegar ao centro. Um redemoinho sem vento, a força do fundo provoca movimento. Sem tempo. Voltas, voltas. Quem sabe um ralo para o fim? Parou o fim. Melhor não pensar em que bueiro vai parar.

"Não há nenhum outro lugar onde eu poderia estar" decidiu a pétala no fluxo do ar. Voando sem rumo, escorando em obstáculos, machucando suas veias de planta. Sem rastro, sem sangue. Hematomas que seguem pelo presente e desaparecem no segundo anterior, no segundo seguinte.

"Não há nenhum outro lugar onde eu poderia estar" inscrito na árvore: amantes da paixão gravaram na natureza seu sentimento fugaz. Tentaram por fim eternizar o imemorável. Cai uma lágrima, escorre uma gota da seiva, tomba uma pétala. O que resta?

sábado, 14 de maio de 2011

DESCULPAS DO DIA POSTERIOR

Passou por sua cabeça que "O compromisso do dia" talvez fosse adiado. "Quem sabe mais tarde?" Fala em alto e bom som para se convencer que realmente seria impossível fazê-lo. A dúvida era uma forma de restar um pingo que fosse de certeza. O compromisso era inadiável, contudo, ele já havia se lamentado nos dois minutos em que conseguira lembrar do tão importante compromisso. O esquecimento era companheiro do desencargo de consciência. Ainda sim, depois do dia veio o outro, e o esquecimento bate à porta: "Desculpe, hoje não vou abrir" fala com convicção. As desculpas não eram para si, mas o outro...os outros...É, e era pra si também. "Não vou abrir" Bate a porta com uma força incomensurável. Senta na cadeira defronte a janela, vê o esquecimento acenar pela esquadria de um outro cenário que lhe cobiça. Mais uma vez murmura desculpas, fixa o olho no papel e começa a escrever uma breve carta que começava mais ou menos assim: "Desculpe-me, por dois minutos lembrei-me de esquecer".