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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Das loucuras daqui e Dali

Acabo de descobrir que o tal Cesar, meu professor de filosofia, é meu ex marido, um mestre na arte dos jogos mentais. Há seis anos atrás nossa história de amor começava. Engraçado isso... Mais velho que eu uns 15 anos, o pobre coitado tinha que tomar Viagra de meia em meia hora. Hoje em dia sou apenas doce, não lembro nem de longe a ninfomaníaca por quem ele se apaixonou. Nosso relacionamento foi extremamente passional. Uma loucura.

Levamos um baita susto quando nos vimos na mesma sala de aula. No final veio com uma conversa mole e me chamou para um drink. Mencionou O Lobo da Estepe, um dos meus livros prediletos, e disse que havia estado num lugar parecido com o ‘teatro mágico só para loucos’ de Hermann Hesse. Aceitei o convite e, a meu pedido, fomos para um bar perto da minha casa.

Sentamos de esquina, joelhos roçando. É claro que eu estava um pouco nervosa. Tá, vai... Bastante nervosa. Dei uma golada generosa no copo de chopp para lavar a serpentina e ajudar o brilho a subir mais rápido para disfarçar a ansiedade. Falamos um pouco sobre amenidades até ele começar a história da ‘boate só para loucos’. Parece que é esse mesmo o nome do lugar.

O que para mim era loucura, para ele era uma revelação. A experiência misturava a esquizofrenia do filme Clube da Luta ao laboratório de loucos de Harry Haller - onde Cesar, em busca de diversão e no auge da intoxicação por cocaína, procurava um tal Dr. Smith na boate laboratório, que realiza experimentos com pacientes esquizofrênicos. Lá, o paciente é direcionado para uma pista de espelhos onde é entrevistado e testado até seus limites pelo tal doutor, que diverte  sua audiência como num programa de auditório. O público dançante e intoxicado tem o direito de interferir no embate a la Big Brother e uma fita é gravada para o cliente assistir posteriormente.

Há esta altura eu já estava quase que no estágio 3 da minha embriaguez. Lembrando que meu pai  nunca me viu trôpega e que meu grau máximo é o 11.9 numa escala de 0 a 10... Enfim... Dali pra frente Salvador virou fichinha e dei um viva ao lobo da estepe.

Que venha a próxima loucura!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Infinitude


Meu coração bate no meu pescoço. Pulsação vem do pulso, batimento vem do tambor. Meu pescoço vem da cabeça, que insiste em se destacar do corpo. Posso chamar meu cérebro de alma. Meu corpo de animal. E, entre eles, um pescoço, que mais serve para canja que é tiro e queda pra gripe.

Então quer dizer que meu coração está no pescoço. Não no meu peito que anseia por gerações futuras. E a loucurinha que não se pode controlar? De onde vem? Do pescoço. Desse elo que nos une em eterno conflito. Infinito.


terça-feira, 31 de maio de 2011

Histeria

A ameaça do desconhecido me perseguia enquanto a histeria da paixão me consumia. Loucos um pelo outro, loucos um com o outro... Eu não conseguia passar por cima das traições. Não estava procurando conforto material ou um pai para possíveis filhos. Estava a procura de cumplicidade, companheirismo, dedicação. De que adiantavam viagens fantásticas e compras luxuosas? Eu queria ter uma vida sentimental boa.

Já solteira e no meio de um turbilhão de pensamentos, muitas vezes saía de casa sem rumo. Minha cabeça caía num abismo e uma das outras assumia o controle.


-“Quem é essa?” Me pergunto no dia seguinte... Tento buscar alguma fagulha de pensamento no fundo do poço e só o que vem é a frase do pobre coitado, pensando alto - "Você é muito linda, o beijo que você me deu...".


É claro que ele não estava entendendo nada. Eu também não estava... O que uma garota como eu estaria fazendo com aquele estranho num motel barato da Praça Mauá? Provavelmente fugindo. De mim... Dele...


A primeira vez tinha classe. Acordei em bairro nobre, piano ao longe... Longe?!?!? Não!! Bem perto. Ele parou de tocar, disse que tinha café, e eu atordoada só conseguia dizer que estava atrasada - e estava mesmo, era a estréia do meu primeiro projeto solo. Quando eu voltei do banheiro ele perguntou:


- Você perdeu alguém?


- A gente vive perdendo, né?


- Ontem você estava correndo risco de vida...


- Você é um anjo... Como é que eu faço pra ir embora?


- Você está em Laranjeiras, é só descer.


Podia ser pior, e acabou sendo. Praça Mauá, sem o menor vestígio de memória. Eu acabava de perder alguém e deste jeito ia acabar me perdendo também.