Além de frases e dicas literárias publicadas na página do Facebook, somos apaixonados e apaixonadas pela escrita com idades, trajetórias e expectativas diferentes que, separadamente, registramos nossos devaneios. Se quiser fazer parte, envie para nós seu texto (oficinacompartilhada@gmail.com)! Os que forem escolhidos pelo grupo serão divulgados aqui na Oficina Compartilhada.

Aproveite o espaço SEM moderação!

Bem-vindos e Bem-vindas!! Saravá!

Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Amarga Vida Doce


Cruel, dura, injusta
Rápida, dolorida, indecente
Amarguinha adoça devagar
E adoçando, o amargo sente
Mas se doce puramente fosse
Nenhum de nós ficaria contente

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Da Solidão Sem Fim II

(in)Feliz me vejo meditando
Buscando a felicidade esquecida
Ah vida!
Que arde sofrida e latente
Só que às vezes também estou contente
Embora saiba que ela tem fim
O existencial briga com a certeza
E nunca fecha
Esse desejo do sempre, 

Chama que queima, queima, queima
Feito vela acesa
Me pego buscando a felicidade perdida
Nela que anda sofrida
Tamanho é o desejo do contente
Mas sabemos que o dia tem fim
A vida iluminada é palco de infinita beleza
E de repente
Escuridão

Vem a noite e esqueço o que busco e o que sou
Assim meditando volto ao ponto de partida
Recobro a serenidade esquecida
E faço as pazes com a solidão.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Ervas Daninhas


Prefiro a vida breve de uma borboleta a viver mil anos com o peso de ter secado um rio.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sol na Janela




Oi, destino. Me apresenta o acaso?
Ôi destino! Me apresenta o acaso.
Oi, destino, me apresenta o acaso!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Falta de Grandeza

“Foi de mesquinharia em mesquinharia, 
de pequena em pequena coisa, 
que finalmente as grandes coisas se formaram.” 
Michel Foucault
 
As meninas tinham de um tudo. Casa grande, cada qual com seu quarto e carro sempre do ano. O dinheiro nunca faltava e os passeios variavam entre balneários ensolarados e restaurantes da moda. Não chegava a ser uma vida luxuosa, mas era, com certeza, uma vida boa. E duas delas, pois moravam juntas sem os pais, que se aposentaram e foram morar de Cruzeiro em Cruzeiro: suíte com quarto separado, cama Queen size e varanda privativa. Na 'sala de estar' tinham até um bom sofá, decorada com restos da casa de campo! (Assim não precisavam nem de visitas, se entretinham com a população flutuante que entrava e saía do navio.)

E as irmãs assim viviam, cada qual cuidando de sua vida, mas sem cuidar muito da casa. Dentro da residência a competição era grande. Quem vai lavar a louça? Quem vai limpar a área de uso comum? As compras de mercado então eram o grande debate. Ninguém queria comprar alvejante para o lavabo da sala de estar. Contavam migalhas e vinténs apesar de serem ambas bem sucedidas e ainda ganharem mesada do avô abastado. Quem olhava de fora nada entendia.  Para quê tanta mesquinharia? Se pouco tivessem agiriam diferente? Com certeza as perguntas não eram fácil de responder.

Algumas mesquinharias mudam vidas, enquanto outras são facilmente esquecidas. Mas o acúmulo de pequenas mesquinharias é tão danoso quanto um copo de birita ao lado da cabeceira. O sujeito vai dormir embriagado e quando acorda dá aquela golada no copo de vodka aguada. E pior ainda é fumante apagando cigarro em lata de cerveja sem ao menos amassá-la para dar a impressão de usada. Vem um bêbado sedento e toma aquela coisa horrível, cheia de guimbas... Enfim. Ainda não há como saber o que pode acontecer com as irmãs, mas que a mesquinharia envenena a amizade, ah, isso já está acontecendo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sobre gente

http://thenewsbiz.blogspot.com/
Hoje conversava com um conhecido que, entre diversas lamentações, enfatizava que a vida é muito difícil e que não aguentava mais o esforço enorme que tinha que fazer para que tudo desse certo em sua vida. Era a empreitada acadêmica que estava pesada demais, o trabalho pouco remunerado, os projetos que andavam lentamente... E acrescentou que, no meio disso tudo, ainda tinha eu, me preparando para mudar.

Mudar... Fiquei sem entender direito o que a afirmação carregava nas entrelinhas. Mas o fato é que ela desencadeou uma resposta imediata e sincera de minha parte: não precisamos de preparação para mudar. Isso já está dentro de nós mesmos e é só cair dentro. Quem prepara demais acaba não dando conta. Tem que ser natural, fazer parte da evolução da vida.

O grande clichê de que a vida é fácil e as pessoas é que complicam é a minha verdade. Ela pode ser até dura para uns ou bastante dura para outros, mas não é difícil, não. E falo isso sem pretensão alguma. Acredito no amor, acredito na sinceridade, acredito no talento e no esforço... Acredito no ser humano. E sei também que uns têm mais facilidade que outros para driblar os obstáculos e seguir em frente sem muito chororô.

Talvez por isso eu seja, muitas vezes, exageradamente positivo e desencanado. O que não significa que não sofra. Apenas não valorizo demais os perrengues que fazem parte da minha história. E não estou muito preocupado com o que os outros pensam de mim. Se eu te conheço vou (tentar) te cumprimentar e (sempre) conversar olhando nos olhos. Sou carinhoso, atencioso, tento fazer o bem e diversas vezes escorrego, porque sou gente.

Medo de mudar? Sobre vida e sobre gente, o melhor é ser contente.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mais um que vai

Banksy
Senti frio e resolvi olhar o calendário. 
17 dias. 
É o que falta para mais um ano ficar para trás. Levanto para fazer um café e noto que a coluna reclama. Dói há dias num misto de estresse e falta de exercício, mas o frio não me ajuda. Desculpa esfarrapada, eu sei. Aproveito para ligar o aquecedor e no caminho de volta para a mesa de escrevinhar não sei por que lembro-me de meu pai. Acho que é só saudade. E em seguida surge o pensamento que as pessoas têm muito medo de morrer, sim, mas têm muito mais medo de viver. Paralisadas pelo desconhecido se trancam dentro de seus corpos e não deixam a alma respirar. Tenho medo da morte, mas tenho sede de viver. Viver o máximo que puder, para além dos meus limites. Sem fronteiras. Os pensamentos confusos se embaralham. Executo várias tarefas ao mesmo tempo: leio e-mails da família, textos de amor, denúncias de falcatruas políticas, procuro aluguéis mais baratos e admiro pinturas de séculos passados. O café me dá um pouco mais de energia e a cabeça começa a funcionar melhor. Quem sabe amanhã eu não corro na praia?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mundo Inventado


Eu sei que a vida deu uma volta enorme. Mais do que isso, eu sei. Mas eu sei também que comi cada cheiro de poeira que passou pelo meu caminho. Eu quis te dizer isso o tempo todo e quis também demonstrar, sem sucesso - pois ao mesmo tempo fugi de medo. Pavor! 

Hoje minha cama está vazia. Mas ela nem sempre está vazia... Só que, mesmo cheia, não fica quente de jeito algum. Ou nunca ficará... Te liguei com uma desculpa esfarrapada, é verdade. Eu não te esqueci e não vou esquecer jamais. Não é parte de nenhuma doença esse revelar. É parte da minha sanidade. Eu posso ser feliz com um mundo inventado - eu nasci para inventar. Escrevo sobre vidas e reinvento a minha o tempo todo. E não tem nada que me traga mais felicidade do que relembrar o que vivemos.... 

Me desculpe, mais uma vez, por evocar um passado presente. Eu vou te amar pra sempre. Intensamente. Mas vou amar um ser que não existe mais. Um brinde ao presente futuro. Ou seria futuro presente?

sábado, 8 de outubro de 2011

Família Futebol Clube



A cidade era pequena - ou a concentração de renda que era mais forte? Havia somente um colégio, dois parques e muitos botequins. Naquele colégio se encontravam as crianças ricas e aquelas pobrinhas que tinham pais preocupados com educação.

Numa dessas pobrinhas, tinha-se uma família que se igualava a um time de futebol: dez em campo e um goleiro. O goleiro tinha suas regras próprias jogando com a mão e se colocando à disposição de todos os chutes: não negamos ser o filho o mais novo. O mais velho, ares de capitão do time, repassando as informações do técnico - eita, telefone sem fio! Os outros, cada qual com sua função para juntos batalharem pelo gol. E quem vence é a equipe: o nome da família na sobrevivência das espécies que, singelamente, chamamos de civilização.

As regras do jogo são óbvias: o homem sustenta a casa, a mulher cria os filhos, a palavra é de ordem e a palmada é autoridade. Seriam mais óbvias não fosse a globalização e os campeonatos estaduais, federais e, quiçá até onde fosse o nome da família poderiam alcançar competições internacionais! Todo esse contato apresentou obstáculos como corrupção, mentira, drogas, fofoca, menosprezo. Algo se perdeu. Quando a equipe toda falha, primeiro trocamos o técnico. Mas ainda bem que no jogo da civilização existe a morte, e é mais fácil superar a morte do técnico que a morte do jogador - lembremos do esquema da responsabilidade civil: mendigos, suicidas e ignorantes são responsabilidade coletiva, todos sofrem.

Mas que algo foi esse perdido? Foi a autoridade? Foi a voz da verdade? Porque não compreendemos que foi a regra do jogo. Quando não são respeitadas, é difícil admitir um caminho alternativo. Tolerância não é muito admitida nesses momentos de escalada social, predação animal é pouco perto dos sentimentos humanos.

Sem fugir muito da família, uma das regras para o controle de tantos jogadores é a palavra. E mais que ela, a imaginação. É por poucas palavras que se permite à imaginação fluir e se criar um mundo no qual se tem domínio..... esse é o sonho de todo técnico - e este ainda se diz técnico, burocrático, científico e objetivo... imagina quando se descobrir um sujeito! Criam-se intrigas internas ao comparar jogadores, a ir contra vontades pessoais. Tudo em nome do coletivo. Coletivo de quem? Do técnico, oras. Ou achamos que técnicos ouvem a torcida?

Pobre do técnico que não explicou o jogo e não conseguiu mais ser ouvido. O mais-velho acreditou ser o capitão do time e, mesmo perdendo o posto com o cartão vermelho, continuou na sua função de picotar a comunicação a seu favor na lateral do campo. O mais novo acreditou ser o goleiro e, depois de alguns frangos no segundo tempo se frustrou e fingiu uma contusão. O atacante passou a jogar na defesa. O lateral esquerdo ensaiou de goleiro. 

A última lembrança que se tem dessa metáfora foi quando, após o apito final e a insistência dos jogadores, o técnico furou a bola e se retirou de campo, deixando-os uns contra os outros sem perceberem o fim do jogo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Do tempo

Voltou a bater.... está ouvindo? Tum, tum, tum. Na porta está lá. Quem é?

- É o destino!

Que desatino é esse? Nem te conheço. O que queres?

- Presente!

Tum, tum, tum. Isso é o presente, destino. O batimento do meu coração com olhos felizes. Um tum tum que anima o rosto, que sorri a boca, que estica olhos orientais!

- Não vai abrir?




Que engano é esse? Sempre esteve aberto! Escancarado! E por esse caminho a rajada de vento sempre passou. Nem que todos os seres humanos quisessem fechar os caminhos conseguiriam! O laço no presente é firme, é forte. E inseguro. Pulsa, pulsa, e repulsa!

Quando ouros pedi, ouros ganhei. Quando outros clamei, outros falhei. De emoções me calei, me irritei. Como flui? Como fui? Passei, passei. 

Repasso. Passa? Passado. Do préterito perfeito. Do réquiem me resta a vela, o ritual inconcluso, o ritual da vida. Que segue, sede, sede de vida. Desejo, e que assim seja!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Seria Deus um piadista?

Juntos criaram seis filhos. O marido era divertido e a casa, confortável. A aposentadoria forçada antes dos 60 anos não chegava a ser um problema: estava realmente cansada. No entanto, quando pensava nas viagens que costumava fazer e nos bons restaurantes que frequentava ficava com preguiça do dinheiro não estar sobrando. Tudo o que queria era uma chance para provar que dinheiro não traz felicidade. Quem inventou isso era um grande piadista, pensava. Assim como provavelmente Deus também deve ter, entre outras habilidades, a de fazer comédia.

Novela nunca foi seu passatempo predileto. E sentar-se na frente da TV por horas a deixava prostrada. Queria viver e não absorver vidas inventadas. De vez em quando encontrava os antigos amigos do trabalho em grandes almoços de domingo. Na maioria das vezes todos derrubavam garrafas de vinho ao som de muita fofoca. Também não queria mais fofocar. Queria viver e não discorrer sobre a vida alheia. Buscava no fundo do peito algo para lhe tirar da inércia, mas nada encontrava.

Os filhos, todos homens, tinham pena da mãe. Tinha tanta vitalidade que vê-la naquele marasmo cortava o coração. Nem os netos preenchiam aquele vazio que ela sentia. Não que ela não se alegrasse com eles, pelo contrário. Naquela altura eram realmente a única coisa que arrancavam risadas de seu humor oscilante. Quando não estava com os netos sua única companhia eram seus fantasmas. E a cada dia eles aumentavam mais: o tempo perdido jamais seria recuperado.