Além de frases e dicas literárias publicadas na página do Facebook, somos apaixonados e apaixonadas pela escrita com idades, trajetórias e expectativas diferentes que, separadamente, registramos nossos devaneios. Se quiser fazer parte, envie para nós seu texto (oficinacompartilhada@gmail.com)! Os que forem escolhidos pelo grupo serão divulgados aqui na Oficina Compartilhada.
Aproveite o espaço SEM moderação!
Bem-vindos e Bem-vindas!! Saravá!
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quarta-feira, 2 de maio de 2012
Luto ou Melancolia?
Silvia não viveu o luto. Viveu melancolia. Não sofreu a perda do homem amado; perdeu tudo o que ele também representava e trazia para sua vida. O luto, diferente da melancolia, é respeitado pela sociedade porque é tido como passageiro, dizia sua mãe psiquiatra. É um mal necessário para nos desligarmos do que não fará mais parte de nós.
Seu amor era infinito e sem medidas. Passava dias se isolando, marcando encontros secretos com amantes do passado em seus pensamentos. Na tentativa vã de fugir do sofrimento.
- Como amei!, pensava.
- Como ainda amo! sofria...
Dizem que o amor dura para sempre. Eu ainda amo muito e ao repetir isso no escuro meus olhos ficam molhados. Por que não te esqueço? Superei, eu sei. Mas por que dia e noite você invade meus pensamentos e sonhos? Será que você pensa em mim de forma serena? Será que eu ainda habito seus sonhos? Você tem raiva? Deseja voltar atrás? Mudar o que vivemos? Não viver o que aprendemos?
E assim Silvia preenchia seus dias melancólicos, pensando e repensando seus amores passados. E quanto mais o fazia, mais se afundava na melancolia.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Das musas e do amor
Nasci para ser musa
E vivo a repetir a mesma coisa
Não preciso ser musa de artista
De Carnaval ou de trovador
Eu só quero mesmo é ser a
musa do meu amor.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Cinzas Coloridas
Fazendo as pazes com a solidão
Encontrei o não
Não quero gente intrometida
Não quero amizade falida
Não quero escolha arrependida
Quero que a estrela brilhe
E que a chuva molhe
Quero abraço apertado
E não quem faz corpo mole
Quero sol azul de bicicleta
Praia, bosque
Pra sair na rua
E quero dia chuvoso
Cinza de preguiça, cama e eu, nua
Pra ficar na minha
Junto com você, na sua
Quero focar pra distrair
E sorrir pra me alegrar
Quero férias
Pra de mãos dadas caminhar
Sair correndo
E num mergulho, cair no mar
Quero você na minha vida
E desse jeito poder te amar
Encontrei o não
Não quero gente intrometida
Não quero amizade falida
Não quero escolha arrependida
Quero que a estrela brilhe
E que a chuva molhe
Quero abraço apertado
E não quem faz corpo mole
Quero sol azul de bicicleta
Praia, bosque
Pra sair na rua
E quero dia chuvoso
Cinza de preguiça, cama e eu, nua
Pra ficar na minha
Junto com você, na sua
Quero focar pra distrair
E sorrir pra me alegrar
Quero férias
Pra de mãos dadas caminhar
Sair correndo
E num mergulho, cair no mar
Quero você na minha vida
E desse jeito poder te amar
domingo, 15 de janeiro de 2012
Duas décimas de amor
A Juliana Vaz F. Kawashima.
Olhos fixos em teus cabelos soltos;
Brincadeira da vida? De repente...
Vira-mundo mais forte que a gente.
E estava meu espírito envolto.
Maré de sentimento revolto
Trouxe consigo um medo: dissabor.
Solerte elemento frustrador.
Mas o grito de um coração amante
Dizia, embora ainda distante:
“Eu canto o rebentar do amor”.
Não é sentimento leviano
Que vem mostrar sua grandeza,
Maior que a da estrela mais acesa,
E o brilho de sua luz: o quanto te amo.
E perpassando o passar dos anos,
Revendo toda a vida que vivi,
De todo o sentimento que senti,
De tudo, a certeza mais celeste,
Que medrou em meu peito inconteste:
É que para a toda a vida te escolhi.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Modo de Usar
usufruto
substantivo masculino
1. Acto.. ou efeito de usufruir ou de gozar os frutos ou rendimentos de alguma coisa que pertence a outrem.
2. Direito proveniente de usufruto.*
Uso o fruto. Fruto de plantação, cultivo e colheita.
O usufruto só pode ser estabelecido sobre coisa inconsumível, porque a consumível não pode ser usada sem que se lhe destrua a substância.**
Uso gente - casamento - uso terra - produção - uso tempo - desperdício.
*http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=usufruto
**http://pt.wikipedia.org/wiki/Usufruto
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Falar continua sendo fácil
Deixei
as fotos da minha ex com meu melhor amigo. E minha coleção de
pornografia também. Motivos diferentes, mas com a mesma função: tentar
engrenar num novo relacionamento. Estou saindo com a Duda há 1 ano e
meio já. Quando fizemos 7 meses ela disse que se incomodava com as
revistas de mulher pelada no banheiro e os filmes pornôs na minha
estante do quarto. Achei que era insegurança, mas minha amiga Carlinha
disse que não, que tem mulher que não gosta mesmo. Continuei sem
entender. Acho que pornografia apimenta o relacionamento, dá ideias boas
ao casal. Quebra o gelo de experimentar coisas novas, sabe? E pra falar
a verdade, o que é que tem de mais?! Estou num relacionamento estável
com a Duda porque assim desejo.
Enfim. Não vou perder o fio da meada porque estou aqui mesmo é pra falar das tais fotos da minha ex, a Bia. Não tive coragem de jogar fora. Pois é.... Ela foi minha terceira namorada e a primeira (e única) que amei de verdade. Achei que fosse ser a mulher da minha vida e acabou não dando certo. Perguntei pra Carlinha o que ela achava de eu ainda ter fotos da Bia e ela se inflou toda. Disse ser um absurdo, que eu estava namorando há 1 ano e meio e que eu já devia ter feito uma faxina geral, nas lembranças físicas e na cabeça. Mas aí aconteceu uma coisa engraçada... Fui tomar um vinho depois do trabalho na casa da Carlinha e no meio da caixa das fotos de família tinha um álbum só com fotos de ex dela... Engraçado... No fiofó dos outros é refresco, né?
Enfim. Não vou perder o fio da meada porque estou aqui mesmo é pra falar das tais fotos da minha ex, a Bia. Não tive coragem de jogar fora. Pois é.... Ela foi minha terceira namorada e a primeira (e única) que amei de verdade. Achei que fosse ser a mulher da minha vida e acabou não dando certo. Perguntei pra Carlinha o que ela achava de eu ainda ter fotos da Bia e ela se inflou toda. Disse ser um absurdo, que eu estava namorando há 1 ano e meio e que eu já devia ter feito uma faxina geral, nas lembranças físicas e na cabeça. Mas aí aconteceu uma coisa engraçada... Fui tomar um vinho depois do trabalho na casa da Carlinha e no meio da caixa das fotos de família tinha um álbum só com fotos de ex dela... Engraçado... No fiofó dos outros é refresco, né?
Moral da história: falar continua sendo fácil e conselho ainda não é vendido porque realmente não presta pros outros se não valeu pra você.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Viagem no tempo
(Trim!
Trim!) Oi, é a Margarida. Embarco hoje para uma viagem íntima e longa
para dentro de mim. Eu sei que de tanto me apaixonar pelo mundo esqueci
de amar a mim mesma. O que é isso que acontece com gente de tudo quanto é
tipo? Essa eterna insatisfação latejante, latente, delirante... Que te
pega de surpresa numa sexta-feira à noite, em pleno happy hour? Ou
durante a corrida na praia, de pés descalços e alma desarmada... Não sei
o que levar, nem se vou voltar. Mas eu não quero te perder como os
outros. (Clic.)
(Trim! Trim!) Então... Sou eu, Margarida. Liguei para alguns amigos para pegar dicas de coisas interessantes para fazer e comidas gostosas para experimentar. Uns me pareceram bastante radicais. De tanto se amarem dormem e acordam cedo, consomem álcool com moderação e só comem carne vermelha uma vez por semana. Outros já me deram dicas mais maleáveis. Correm de 2 a 3 vezes por semana, se permitem comer carne vermelha quando dá vontade e até programam um porre para relaxar. E aí? Quer tomar um porre comigo hoje? (Clic.)
(Trim! Trim!) É a Margarida. Te procuro porque uma das minhas amigas perde tanto tempo pensando excessivamente se está bem vestida, acima do peso ou ficando velha, que nem paixão, nem amor, passam por lá. Será que você pode ajudar? Fico com medo que seja tarde demais. (Clic.)
(Trim! Trim!) Olá, é a Margarida. Outra vez... Obrigada por ter ajudado. Mesmo. Você não responde, pensei que nem estivesse me ouvindo. A gente se esbarra por aí. (Clic.)
(Trim! Trim!) Então... Sou eu, Margarida. Liguei para alguns amigos para pegar dicas de coisas interessantes para fazer e comidas gostosas para experimentar. Uns me pareceram bastante radicais. De tanto se amarem dormem e acordam cedo, consomem álcool com moderação e só comem carne vermelha uma vez por semana. Outros já me deram dicas mais maleáveis. Correm de 2 a 3 vezes por semana, se permitem comer carne vermelha quando dá vontade e até programam um porre para relaxar. E aí? Quer tomar um porre comigo hoje? (Clic.)
(Trim! Trim!) É a Margarida. Te procuro porque uma das minhas amigas perde tanto tempo pensando excessivamente se está bem vestida, acima do peso ou ficando velha, que nem paixão, nem amor, passam por lá. Será que você pode ajudar? Fico com medo que seja tarde demais. (Clic.)
(Trim! Trim!) Olá, é a Margarida. Outra vez... Obrigada por ter ajudado. Mesmo. Você não responde, pensei que nem estivesse me ouvindo. A gente se esbarra por aí. (Clic.)
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Apesar da falta

“O amor transcende o romance.” Quando ouvi, chorei. Parece óbvio, mas não pensamos nisso até que o dia chega. Você está lá no seu canto, com um novo e promissor relacionamento, feliz, e de repente sente a boca do estômago apertar. “Taquiupariu!” é a única coisa que consegue sair da sua boca seca. O coração acelera e a mente não consegue mais focar... Certos relacionamentos são assim. O amor passa pela sua vida e deixa marcas tão profundas que, mesmo que você se esforce, ele não sai de dentro de ti. Fica apenas escondido num cantinho até que toque aquela música, chegue aquele mês, você tome aquele drink ou encontre um amigo em comum que conta que seu (ex)amor tem um novo amor... Não existe ex-amor, cheguei à essa conclusão. Se é amor, não acaba. É quase como amar a avó ou o tio que morreu. Só que pior - no sentido de ser mais intenso, porque vocês se escolheram apesar do grau de parentesco. E você continua amando, apesar da falta. E ama cada vez mais intensamente com o passar do tempo porque você queria mais abraços, mais conversa, mais intimidade e menos descuido. Fica querendo que o tempo volte atrás para fazer escolhas diferentes. Quer reviver cada briga para dizer que nada importa, só o amor.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Superexposição ou Emoção?

A onda vai
O vento vem
E o que mais queremos
Ninguém tem
Satisfação
É...
Quem vê Facebook
Não vê coração
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
Confuso Horário
Rolava na cama e nada. Ficou com fome e resolveu comer duas bolachas salgadas com requeijão e uma fatia fina de peito de peru defumado. Já era tarde, mas com o estômago reclamando não tinha jeito, não conseguiria dormir.O exílio voluntário permitiu que ela se conhecesse melhor. Já não mais se incomodava com os longos dias consigo mesma. Mas com as noites sim... Já havia tentado de tudo, mas o quentinho do corpo do homem acamado fazia uma falta danada.
Rolava e nada... Vinham ideias na cabeça e ela acendia a luz de cabeceira para tomar notas. Fragmentos de contos, as bonequinhas do livro infantil, a consultoria sobre redes sociais, a estrutura do livro burocrático e até a assessoria política... Tudo girava e só não era pior do que enjôo de birita. “Saco!”, esbravejava em voz alta.
Acordava e tinha uma rotina boa: água, leitura, café, escrita, cozinha, escrita, lanche-almoço, leitura, exercícios, caminhada boa, lerê, lerê, banho, vinhozinho, leitura, escrita e, finalmente, beijo melado... Embora detestasse rotina, essa era a melhor delas.
Nada... E quando eram assim as noites mal dormidas, afogava-se num copo cheio de fantasias e deixava a madrugada tomar conta de seus devaneios até que conseguisse dormir.
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domingo, 19 de junho de 2011
Creme de Queijo
Passou o dia inteiro tentando encontrar uma receita simples e deliciosa de creme de queijo Neuchâtel . Nunca tinha ouvido falar nesse tipo de laticínio e queria que o resultado fosse perfeito, para comer com os morangos docinhos que haviam comprado.Era tudo muito fácil, o dia a dia leve, leve.... O creme devia ser tão delicioso quanto o momento que estavam vivendo. Queijo Neuchâtel, creme de leite fresco, açúcar de confeiteiro, morangos bem vermelhos... Simples e delicioso. Tudo o que tinha que fazer era deixar na consistência certa. Não seria assim também com o amor? Achar a ‘consistência’ certa?
O amor fantasia de Vinicius, o amor para além do bem e do mal de Nietzsche... O de Drummond era grande, mas cabia no breve espaço de beijar. E Lennon nos ensinou que é como uma flor, “♫ you got to let it, you got to let it grow ♫”.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Vestido Envelope

Assustada demais com a coincidência, não conseguiu deixar de comentar com seu irmão sobre a data que veio na cabeça um dia depois do aniversário do primeiro casamento. Treze de junho de 2004. Foi o exato dia em que tudo começou.
Levantou-se cedo e escolheu a roupa que vestiria para o encontro. Não queria nada muito ousado, mas gostaria que fosse algo elegante que insinuasse suas belas formas. Escolheu um vestido sóbrio, porém decotado e marcando a cintura, do tipo envelope. “Genial a Diane Von Furstenberg, não existe nada mais feminino do que o wrap dress”, pensou alto sobre a estilista que entrou para a história.
Era a primeira vez que sentia-se sedutora. Lembrou-se da propaganda antiga do sutiã e achou que a primeira sedução também nunca é esquecida. Aquele homem seria dela e os dois mudariam seus rumos só porque ela acordou com vontade de ser dona do próprio caminho.
Já era hora de desafiar o mundo e seguir seu próprio coração em busca de satisfação pessoal. Era chegada a hora de tirar as próprias conclusões e sofrer as consequências. Ao final, tinha certeza, o saldo seria positivo.
E acreditava mesmo no que pensava. Pegou a bolsa e, sem nem mesmo passar maquiagem, saiu de casa para o encontro que transformaria a sua vida pelos próximos dez anos.
Levantou-se cedo e escolheu a roupa que vestiria para o encontro. Não queria nada muito ousado, mas gostaria que fosse algo elegante que insinuasse suas belas formas. Escolheu um vestido sóbrio, porém decotado e marcando a cintura, do tipo envelope. “Genial a Diane Von Furstenberg, não existe nada mais feminino do que o wrap dress”, pensou alto sobre a estilista que entrou para a história.
Era a primeira vez que sentia-se sedutora. Lembrou-se da propaganda antiga do sutiã e achou que a primeira sedução também nunca é esquecida. Aquele homem seria dela e os dois mudariam seus rumos só porque ela acordou com vontade de ser dona do próprio caminho.
Já era hora de desafiar o mundo e seguir seu próprio coração em busca de satisfação pessoal. Era chegada a hora de tirar as próprias conclusões e sofrer as consequências. Ao final, tinha certeza, o saldo seria positivo.
E acreditava mesmo no que pensava. Pegou a bolsa e, sem nem mesmo passar maquiagem, saiu de casa para o encontro que transformaria a sua vida pelos próximos dez anos.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Qual a saída?

Experimentava toda a sorte de sentimentos de confusão e abandono quando no auge da briga ele saía de casa e se instalava em um hotel qualquer, voltando para casa muitas vezes dias depois. Chorando. Transtornada, eu quebrava tudo que estava ao meu alcance. Desabando em pranto, dormia soluçando.
O pior era o dia seguinte. Não tinha muito com quem contar que fosse de extrema confiança. Se eu pedisse ajuda iria expor o problema real e ele já havia me deixado claro que aquele era o estilo de vida que queria levar, do contrário não teria se separado para estar comigo. Eu sentia falta da minha família, mas essa opção era absurda. E acabava procurando consolo no colo de amigos e amigas dele – mais tarde alguns se tornariam realmente meus bons amigos.
O relacionamento era claramente um jogo de poder e comecei a ter, com frequência, ondas de tristeza, que me valeram momentos de muito sofrimento, pois era bastante difícil disfarçar. A angústia de me tornar uma pessoa triste me invadia. Entristecida eu não teria mais nenhum valor. E foi quando me deparei com meu segundo maior medo: o de me tornar triste.
O pior era o dia seguinte. Não tinha muito com quem contar que fosse de extrema confiança. Se eu pedisse ajuda iria expor o problema real e ele já havia me deixado claro que aquele era o estilo de vida que queria levar, do contrário não teria se separado para estar comigo. Eu sentia falta da minha família, mas essa opção era absurda. E acabava procurando consolo no colo de amigos e amigas dele – mais tarde alguns se tornariam realmente meus bons amigos.
O relacionamento era claramente um jogo de poder e comecei a ter, com frequência, ondas de tristeza, que me valeram momentos de muito sofrimento, pois era bastante difícil disfarçar. A angústia de me tornar uma pessoa triste me invadia. Entristecida eu não teria mais nenhum valor. E foi quando me deparei com meu segundo maior medo: o de me tornar triste.
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domingo, 29 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Caipirinha Sentimental
Todas já inebriadas quando, de repente, conversas paralelas transbordam dos copos cheios de mágoas. Como foi que deixou para trás, por pura vaidade, a fonte de seu prazer carnal? Hoje choram as entranhas suspirando fundo de saudades. Confusa e sem saber o que fazer, derrama a dor na mesa do bar. “Mais uma caipirinha, por favor.” As amigas não tão mais jovens assim se diferenciavam dela pela maior leveza com que levavam a vida. Seus olhos carregados denunciavam noites mal dormidas e muita bebida. Ah, e uma certa amargura também. Desde que fora trocada por uma moça mais jovem que tenta achar seu lugar nesse mundo embaralhado. Sem profissão, sem marido e sem chão.
Tentava se consolar no fato de a jovenzinha ser mais feia. E desengonçada também. Mas o alívio durava pouco. "E daí? Ela com ele, eu sozinha." E toda vez que admitia em voz alta que o casamento acabara por que tinha que acabar, sufocava no fundo da alma a possibilidade de ter sido traída. “Mas Diabos, o problema é que acabou! Não importa tanto agora.” Pensava, entre um gole e outro. E em meio às inúmeras frases feitas que eram jorradas para que ela se sentisse melhor, finalmente admitiu que sentia falta do rapaz. “Mais uma, quero sim!”, exclamou com dedo em riste. E todas também pediram mais uma rodada de chopp.
Genial esse negócio de internet. No meio da confusão de seus 55 anos de vida surgia esse jovem de 30 anos, interessado no seu corpo já não tão atraente e na sua cabeça cheia de histórias. Sincero, admitiu não querer compromisso e até ter outras namoradas. Sua indiferença durou pouco. Quanto mais afinidade tinham na cama, mais ela se incomodava em não ser exclusiva. Mas quanta bobagem! Depois de tudo o que já passou, porque não aproveitar sem cobranças? Agora ali estava a lamentar.
O outro namorado mais velho que tinha finalmente fez a escolha e levou uma das parceiras para conviver com a família. Este ela não queria mais, por puro princípio. Se ele resolveu assumir compromisso, ela não queria levar o rótulo de “a outra” e ter de se contentar com as migalhas que restassem. Se ele resolveu assumir compromisso, que arrume outra mulher para desempenhar o papel de amante. Agora o que tinha que fazer era reunir forças para procurar seu jovem rapaz. Suspiro longo. “A conta, por favor?”
Tentava se consolar no fato de a jovenzinha ser mais feia. E desengonçada também. Mas o alívio durava pouco. "E daí? Ela com ele, eu sozinha." E toda vez que admitia em voz alta que o casamento acabara por que tinha que acabar, sufocava no fundo da alma a possibilidade de ter sido traída. “Mas Diabos, o problema é que acabou! Não importa tanto agora.” Pensava, entre um gole e outro. E em meio às inúmeras frases feitas que eram jorradas para que ela se sentisse melhor, finalmente admitiu que sentia falta do rapaz. “Mais uma, quero sim!”, exclamou com dedo em riste. E todas também pediram mais uma rodada de chopp.
Genial esse negócio de internet. No meio da confusão de seus 55 anos de vida surgia esse jovem de 30 anos, interessado no seu corpo já não tão atraente e na sua cabeça cheia de histórias. Sincero, admitiu não querer compromisso e até ter outras namoradas. Sua indiferença durou pouco. Quanto mais afinidade tinham na cama, mais ela se incomodava em não ser exclusiva. Mas quanta bobagem! Depois de tudo o que já passou, porque não aproveitar sem cobranças? Agora ali estava a lamentar.
O outro namorado mais velho que tinha finalmente fez a escolha e levou uma das parceiras para conviver com a família. Este ela não queria mais, por puro princípio. Se ele resolveu assumir compromisso, ela não queria levar o rótulo de “a outra” e ter de se contentar com as migalhas que restassem. Se ele resolveu assumir compromisso, que arrume outra mulher para desempenhar o papel de amante. Agora o que tinha que fazer era reunir forças para procurar seu jovem rapaz. Suspiro longo. “A conta, por favor?”
sexta-feira, 29 de abril de 2011
O luto do segundo molar
Após ela ver seu recente ex-namorado rindo escandalosamente com outra mulher em frente a uma vitrine de bolsas, começa os desvarios:
“Que raiva! Vou lá falar come eles. Não, vou ficar olhando. Ah, vou pra casa. Ah...
Ela lá parada, olhando a cintura fina da outra na mão dele. Ela lá, parada, e a força da raiva se transformando na dor da tristeza. Ela, lá, confusa e parada.
Depois de um bom tempo vai para casa, ainda tresvariando:
“Por que fui ver aquilo? Pergunto até agora o porquê disso tudo? E que boca era aquela? Toda escancarada e os dentes amostra como eu nunca vi antes, nunca. Em quatro anos! Aquela cintura fina e ele agarrado a ela. Olhando aquela merda de vitrine; e como sorria, pra que abrir tanto a boca?! A menos de quinze metros de distância eu vi, e ninguém me contou. Ainda mais que eu não iria acreditar se alguém falasse; ainda mais que não ia ter ninguém pra me contar. Que porra de sorriso que ele deu em frente à vitrine de bolsas: com a boca mais descerrada que boceta de puta calejada. E eu vi: a boca tão aberta, e os dentes tão amostras que eu via o segundo molar – e obturado –, a mais de quinze metros de distância. O molar! E o segundo! Quem sabe se fosse o pré, ou até o primeiro molar... Eu me lembro de um sorriso que ele deu quando estava comigo. Eu vi o molar... o primeiro molar.
“Ninguém me contou, eu vi. Depois de todos os sorrisos, das brincadeiras idiotas, de mais sorrisos – todos de segundo molar. Depois de quase duas horas olhando aquela merda de casal.
Caminhando há meia hora para compensar as quase duas de autoflagelação que imputara a si, gastava a sola da sandália indo a pé para casa. Aos últimos passos de casa: choro, riso, choro, respectivamente, de dor, de raiva, de dor. Ela que deveria estar com as pernas indiferentes pelo passeio no shopping, agora parecia ter pernas de hipertenso que se arrastavam ao longo de toda caminhada: chorando, rindo, chorando. Os olhos que eram para estar descansados com a vitrine de bolsas – e a bolsa vermelha que ela estava pensando comprar, até o momento em que desistiu por ter gostado justamente daquela que pertencia à mulher do sorriso de segundo molar, e que a fez detestar a partir daquele momento, as bolsas vermelhas, as batas vermelhas, as echarpes vermelhas – estavam vermelhos, do choro, do riso, do choro.
Chegou pingando de suor e foi logo tirando a roupa em direção ao banheiro. Os olhos não agüentavam mais: coçavam, doíam, ardiam. Entrou no banho. As lágrimas se embolavam com a água do chuveiro que batia na face, e os olhos ardiam e coçavam e doíam. Os risos agora vinham como soluço, somente para interromper a dor, a ardência e a coceira. Enrolou-se na toalha e foi se olhar no espelho – pra quê?! Os olhos, todos aqueles: os da vitrine de bolsas; os que viram o segundo molar a mais de quinze metros de distância; os da ardência; os da coceira; os da dor; aqueles vermelhos.
Mesmo cansada diante dos fatos ocorridos procurava fazer coisas banais a fim de ocupar a cabeça. Foi por suco no copo. Derrama o líquido amarelo na toalha de mesa e no chão, o copo cai e quebra. Ela desaba num choro que desanda na exaustão do dia que culmina no sono profundo num pequeno sofá. Ao levantar no dia seguinte, caminhando até a cozinha sente dor nas pernas, avista então o suco e os pedaços de vidro espalhados pelo chão – lhe vem assim o primeiro pensamento do dia. Pensamento que inaugurava o começo de um luto que perdurará por quase um ano:
“Por que ele riu daquele jeito?
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
Recomeço
Dividíamos cama e sonhos. E fui chamada a escrever seu epitáfio. No momento de transformar em palavras o homem que tão bem conheci, fiz uma viagem secreta aos anos findos de amiúde convivência. Era preciso ameaçá-lo para ser tratada com decência. E o silêncio seguia por dias. Eu, chorando miúdo e enfiando bilhetes por debaixo da porta. Ele, entrando e saindo colado ao telefone celular, transbordando indiferença.
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
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