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sábado, 3 de março de 2012

Não sei o quê

Colérica, salta a veia na testa. A voz sai do peito e contrai a garganta.

Me canso, pestanejo nas hesitações, tombo os ombros sobre o tórax. Arco de corpo no torpor sem...

Ânimo, animo! Rasgo a pele com minhas costelas e suspendo a alma nos dedos do pé.

Em candura, desço à minha altura e abraço o coração... ao repousar a mão sobre o peito quente.

Na solidão, arranco goles do copo de aguardente e sorrio - desespero, ela mente - para avivar os olhos.

É noite, calor brando a lacrimejar a testa e deixar o corpo à espera de lençóis.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O.que.o silêncio não diz

Olhinhos assim ó.O
Esbugalhados
Debulhados em palavras
Que não sabem ser ditas

Ditadas como são
Sanam diante da sensação
De abrir os olhos e ver
Ver que não era pra ser













Janela dos olhos

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Holofote

Era eu só na praia de areia dura, cheia de cascalho e miudezas de conchas. O frio era pior quando a brisa batia e agitava o mar tranquilo. Por falar nele, de água escura, nessa hora da manhã só dava ara distinguir a espuma do mar. Era difícil se sentir confortável quando a iluminação era pouca. Onde estava a claridade da lua?

Sento-me à espera de meus amigos. Logo chegarão com as garrafas de vinho e eu poderei mergulhar sem me importar em deixar a mochila sem um olhar. Quem sabe, mergulhando, eu não encontro onde estão os raios da lua para que possamos ao menos enxergar nossas expressões faciais. A praia não era só aquilo, eu estava praticamente em uma pequena baía onde a mata densa separava pequenas praias e escondia a lua.

Só de ouvir a voz deles eu me atirei ao mar. Avisei da minha intenção, fui nadando na água gelada até que pudesse ver a claridade. Parecia mais os raios do sol que a presença da lua na pedra avermelhada. Apressei o nado e subi à pedra para ver qual praia era mais clara. Logo me deparei com um fenômeno único. Era a lua que refletia claramente a luz e o calor do sol. E era possível ver o fenômeno a olho nu.

Lá estava o sol, e pouco mais distante no céu estava a lua. Tal como um espelho, ela iluminava e esquentava uma praia à leste de onde estavam meus amigos. Tal como um espelho, ela direcionava os raios do sol, como se este fosse um holofote e não uma bola de fogo. 

Gritei ao longe para os amigos virem, e sozinha me estirei na pedra e por um momento me senti uma com a natureza. Una.

terça-feira, 26 de abril de 2011

E o passarinho!

Acordou ao lado dela. Nem se lembrava que isso era possível, fazia parte dos desafios. Dentre eles, entender o que se passava nela. Colou o ouvido para ouvir os batimentos cardíacos. Se estava acelerado - bem me quer. Se o tum tum era ritmado - não me quer. Recebeu um sorriso como resposta - mas não era essa a pergunta.

Colocou a máscara e abriu o peito. O bisturi cortante enferrujado pelo tempo lhe pediu silêncio ao oferecer atenção. Os olhos dela estavam atentos, os lábios costurados. Confusão. Com-fusão. A máscara não podia estar ali. Não havia espaço para o pasteurizado, para o limpo e esterilizado. Não havia função para o útero estéril dela. Não havia ouvidos para as palavras de uma, havia muros: ele quer, ele quer, ele quer.

Ele quer, ele cria, acontece. Acontece? Nela aconteceram palavras, nele só a melodia ritmada do tum tum. Cada qual com sua música. Assobiando no seu tempo, de acordo com o bater das asas, da mudança do vento.

"A todo mundo eu dou psiu."