Choro diante do mundo, mas são lágrimas de crocodilo.
Não que sejam mentirosas,
ao contrário, são as mais puras e verdadeiras lágrimas que tento evitar, embora escorram por si.
É o sentimento que assalta diante da impotência: pálpebras finas e razão forte.
Aqui computo uma dor, a de ser,
e ser crocodilo, e saber,
saber dizer, mas não ousar fazer.
Por enquanto, não ando muito feliz,
mas corro da infelicidade, sem hipocrisia...
E que são lágrimas de crocodilo, ah...
são.
Além de frases e dicas literárias publicadas na página do Facebook, somos apaixonados e apaixonadas pela escrita com idades, trajetórias e expectativas diferentes que, separadamente, registramos nossos devaneios. Se quiser fazer parte, envie para nós seu texto (oficinacompartilhada@gmail.com)! Os que forem escolhidos pelo grupo serão divulgados aqui na Oficina Compartilhada.
Aproveite o espaço SEM moderação!
Bem-vindos e Bem-vindas!! Saravá!
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Trilogia: Encontre o X da Questão
Ideologia do finado Cazuza
"O meu prazer, agora é risco de vida
[...]
eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou"
A nossa trajetória sempre nos permite assumir um caminho. Mas nos pode ser um fardo. Um _X_ na nossa testa/texta que passa de "geração" para geração. O que isso quer dizer? Que eliminar um fator narrativo genealógico nos permite seguir um caminho como indivíduos. Mas que mantê-lo também nos permite ter um ponto de referência de valores - para bem ou para mal - que significa não somente nossas ações como também nossos sentimentos.
Papai e Mamãe Baseball me deram as primeiras pegadas, as primeiras rebatidas. Suas marcas continuam em mim de formas que não sei significar. Claro que permito o mistério de suas existências. Mas ainda existe a existência do agora que não me permite encaixar a todos nesse agora. Nessa agorafobia.
terça, 19 de Abril de 2011
Mito_côndria - DNA Eva no século XXI do calendário gregoriano
Eva sabe ler, escrever, cozinhar peixe, lavar calcinha no box, usar o dicionário T9 para mensagens do celular. É maio de 68, é sufrágio universal, é divórcio, é a pílula anticoncepcional. Com a mercantilização da mulher perfeita, sobraram as loucas de graça.
Saiu coazamiga e tomou sua sangria com bastante maçã. Também, como não? O útero inchado de inutilizado pede largas doses de álcool e doce - chocolate se possível, mas com bebida nem rola, então vale uma jarra de sangria. Todo mês se esquece de sua dor uterina. Não existe essa história de calejamento para um órgão que sangra com frequência - mais que isso, sangra pelo seu sexo.
Depois de tanto cigarro se olha no espelho, não há nada de errado. A velhice vai chegar, acabou o paraíso da infância. Não consegue nem acreditar no quanto demora para as rugas, são tantos abusos consigo... mas a a garganta dói. Parece até ter nascido um pomo por conta da rigidez do esôfago. E vai... quem faz careta, com o sopro de um anjo, fica desse jeito pra sempre. Eva vive a vida de quem lhe falta.
A queda que sofreu no dia anterior lhe quebrou uma costela. Do lado direito. Deve doer mais àquele que lhe concedeu a sua lateral esquerda. Mas já não importa. Só vai ser chato limpar o vestido branco, ficou cheio de barro na queda. Melhor esperar pelo Darcy, ele sabe alguns truques para lavar roupas, se não der certo pode tingir de negro. Enquanto espera toma seu café e troca a maçã pela geléia de amora.
segunda, 28 de Fevereiro de 2011 às 21:20
Regra Três
Não sabia quem era, de onde vinha, para onde ia e quem era ela para ele querer.
Brincou no primeiro dia como se fosse a personificação de buceta suculenta. Encarou que tudo registrado em si era nada mais que um buraco com um _X_ que o outro havia descoberto com sua vareta cega à descobrir as matas do deserto.
Brincou no primeiro dia como se fosse a personificação de buceta suculenta. Encarou que tudo registrado em si era nada mais que um buraco com um _X_ que o outro havia descoberto com sua vareta cega à descobrir as matas do deserto.
Havia oito anos que se picava para esterilizar o útero e encarnar o ideal do século _X_X_I - que, diga-se de passagem, é o ideal mais antigo, que o diga Jesus Cristo e sua propagação do livre-arbítrio. Sim, realizamos aquilo que a Galiléia não conseguiu: posso não ter filhos, fudendo; posso ter companheiros, descasada; posso não ter doenças, agasalhada. Que avanço! Uffa! Por isso somos cristãos.
Mas e aqueles códices da cultura que moldam músculos, olhares e timbres de voz? Como ficam eles perante tanta liberdade? E tanta liberdade de ex__pressão. Dê__pressão à eles para vê-los reagir. É o nada. É a inércia. É o excesso de liberdade que cessa na ação. Antiga cessão de desejos entre criança e adulto. Ex__cessão.
Não sabia quem era, de onde vinha, para onde ia e quem era ela para querer ele.
quarta, 30 de Novembro de 2011 às 02:40
Baseboy _X_ Matarrato
Baseboy _X_ Matarrato
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Infinitivo
Se rezar faz espantar eu não sei
Madrugar para Deus ajudar também não provei
E nem sempre a espera alcança
Nessas horas é melhor
Ajoelhar para gozar
Cantar para dançar
E sorrir para não chorar.
Madrugar para Deus ajudar também não provei
E nem sempre a espera alcança
Nessas horas é melhor
Ajoelhar para gozar
Cantar para dançar
E sorrir para não chorar.
domingo, 27 de novembro de 2011
Nostalgia
Esbarrar no passado;
não que ele tenha se perdido, apagado ou embotado,
mas porque está vivo no pensamento:
bicicletar, correr na rua descalço, na rua não asfaltada,
no bairro pobre, e sobretudo alegre...
Ainda é cedo.
Felicidade é o resumo de toda a lembrança tangível,
palpável como a sensação de estar distante,
e salvaguardado.
Saudades, muitas vezes, saudades:
de ser livre enquanto frágil.
Saudades, das conversas na varanda estreita de piso frio;
saudades, das conversas em tons também estreitos – “vamos para a rua? Aqui alguém pode nos ouvir”.
A rua é a escola da criança,
quando, por entreter-se em brincadeiras que não são suas, aprende;
Amadurece, justamente, nas brincadeiras de esconde-esconde, pega-pega – “Agora é sua vez, mesmo sem querer”.
Anoitece, rapidamente: “é hora de descansar!”,
e a criança não se sente enfastiada;
seu querer é ficar na ‘escola’.
Os amigos se vão;
A rua deserta cheira a nostalgia.
É noite, e tarde.
sábado, 26 de novembro de 2011
Sorriso Amarelo
É aquele que fica, indisfarçável,Colado na cara sem graçaAmarelo ovo, amarelo gema,Amarelo farsaE no desespero,O portador nem disfarçaVeste o horrorE abraça a desgraça
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desespero,
desgraça,
sorriso amarelo
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Chuva de verão
A forma de sol a giz no cimento carrega a chuva potencial para perto de quem desenha -
não há como afastá-la, embora a vontade seja oposta.
A família pede o desenho; as nuvens, inevitavelmente choram no quintal,
molham o cimento, lavam a casa;
o giz se desapega rapidamente da pele do chão: torrente d'água,
adentra a morada de nós - mas não querem a chuva.
Passam, passam as nuvens para o verdadeiro sol mostrar que
não há vestígios do desenho mal feito que chama a chuva sem querer;
não querem, exceto eu, que não luto contra a emoção - mentira.
não há como afastá-la, embora a vontade seja oposta.
A família pede o desenho; as nuvens, inevitavelmente choram no quintal,
molham o cimento, lavam a casa;
o giz se desapega rapidamente da pele do chão: torrente d'água,
adentra a morada de nós - mas não querem a chuva.
Passam, passam as nuvens para o verdadeiro sol mostrar que
não há vestígios do desenho mal feito que chama a chuva sem querer;
não querem, exceto eu, que não luto contra a emoção - mentira.
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