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Bem-vindos e Bem-vindas!! Saravá!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Finitus

A - Ai amiga, nem o Skype salva mais.
B - O que houve?
A - Tem uma hora que o corpo dói e a cabeça agita.
B - Ih! Citando Gonzaguinha, já vi que o bagulho é doido.
A - É mulher, muito doido mesmo... Esse lance de intimidade fica gravado na pele. Aí quando você (se)pára, o corpo sente. Droga!

As duas olham para frente e ficam em silêncio durante 30 segundos contemplando a vista da Urca. Um gato preto sem dono pula na mureta.

B - Se os gatos nascem pobres, porém livres, como seriam suas vidas de madeira?
A - Eternas, se não fossem os cupins...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sol na Janela




Oi, destino. Me apresenta o acaso?
Ôi destino! Me apresenta o acaso.
Oi, destino, me apresenta o acaso!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fwd: Pombos ou primos?

Não me relaciono incestuosamente.
E mto menos me caso com membros da minha família...
Nem me atraio.
Tem gente que come as primas e acha normal. 
Experiências.... 
Dizem...
Até preferem comer o cú, assim não correm risco.
Um escritor famoso falou que os que sujam as famílias são os primos e os pombos... 
Concordo.
(sem preconceito algum...)
Nunca fui comida de primo - a não ser que tenha sido enganada. 
E tb não me recordo de situação parecida!
Engana-se quem quer.
Espero que ninguém nunca tente reconhecer o filho que nasceu caduco.
Eu continuo colhendo frutos da minha profissão.
Esse ano tem Olimpíadas e devo tirar uma grana boa também.
Engraçado eu não conseguir parar de falar com vc.
Chega a me incomodar às vezes. Outras vezes me alivia.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Oui, skin!

A pele não mais responde à alma que a vestiu um dia. Porque quando a alma chegou, luminosa, permitiu um ponto de maturação àquela parca macilenta reunião de epiderme. E lhe disse: Cresce comigo com saúde e felicidade, e teremos o além. Nos primeiros momentos de convivência era possível ver a alma saltar aos olhos e e envolver o corpo para abraçar o mundo. Já com o passar dos anos, uma se adaptava à outra, a pele esticava enquanto a alma se agitava, a pele permanecia quando a alma, retraída, ia para o fundo dos olhos. Para os desavisados da dimensão humana, diríamos que essa dinâmica é inércia de motivações cotidianas. Para os românticos, diríamos ser a estagnação do mundo real - não cabe aqui desilusão porque é para quem vê o futuro, sem sentir o presente, falta ainda uma palavra para dizer o que é possível e não acontecendo.

O além foi se fazendo na expansão dos ossos, na criação de idéias, no abuso com outros. O além trouxe o de sempre. Não levou para alhures a alma luminosa, pelo contrário, a fez iluminar no cotidiano reduzindo o futuro a um desejo de pasárgada - escapismo, puro escapismo. Retirou o que havia de amanhã, apresentou o agora e negou o passado. Pediu licença para querer e foi censurado. O que passou a significar o além não mais poderia se traduzir em "ir", mas em "voltar".

Ficou a pele. Chorou, enrugou, contorceu músculos e mostrou que o que vale é o que não se combate. O campo de batalha muda o corpo e lambe a alma. Deixa a pobre coitada encharcada de lágrimas de tristeza e babas de loucura. Sim, o corpo sempre vence talhando o olhar na paixão pelo abandono.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mal Comparando

Soberba disfarçada é pior que mentira, se é que dá para comparar. À mentira você pode recorrer por ter sido pego de surpresa, por descuido ou motivos nobres (embora a maioria diga que nunca justifica). A soberba não dá para defender de jeito algum, carrega consigo uma inveja silenciosa que cedo ou tarde acaba vazando.

Luiz tinha uns 40 anos e andava com uma galera mais jovem. Até Roberto deslanchar e aparecer com um carro novinho, Luiz vivia pelando o saco do amigo. Os dois não eram muito chegados no dia a dia, mas eram parceiros. A galera era a mesma, pois estudavam juntos e escolheram trabalhar no mesmo ramo. Enquanto Roberto apagado permanecia, lá estava Luiz elogiando o camarada, recomendando, puxando o saco.

Muito talentoso, embora medianamente bem sucedido, Luiz era aclamado por todos, uma espécie de guru; e não economizava na autopromoção falsamente diluída. “Economizar por quê?”, pensava. “Já não sou tão bem recompensado com atributos físicos.... Se for um nerd popular melhor para a minha vida.”

E assim enganava a todos com sua falsa modéstia e seguia tentando disfarçar a soberba elogiando os amigos malsucedidos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

No Blow

Raramente nossa mente acompanha nosso estado (físico, de espírito, de produção). É nesse descompasso, vazio deixado pelo fio condutor do cotidiano, que vêm encontrar aconchego a culpa, o martírio, o julgamento, a falta de bom senso. E coloca senso nisso, porque o outro sente enquanto tentamos deslocar o nosso nada. 

Hoje é daqueles raros dias em que é possível nadar em semancol. Quando o silêncio vem antes das palavras, quando a chuva é um fenômeno da natureza e o único obstáculo dos seus planos são eles mesmos. Podemos encurtar e economizar palavras dizendo que, no nublado dia de hoje, minha mente nublou. E de alguma forma me sinto também fenômeno dessa massa louca chamada vida, e o nada está como gostaria de estar. No blow.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Amizade Dietética

Querido quase amigo: tu és um chato. De galochas. E com essa afirmação terminei uma amizade que nunca bem começou. Pra falar a verdade nunca acreditei em amizade entre ex-amantes. Ouvi de um professor que isso tem outro nome, e chama-se infidelidade emocional. “I call this emotional infidelity!”, gritava o sensato senhor com os punhos cerrados.

É meio por aí mesmo. E introduziu a afirmativa veemente perguntando em tom de resposta: “Você fez amor com essa pessoa! Dormiram e acordaram nus lado a lado e talvez tenham feito planos de vida eterna! Como é que agora vocês vão ser amigos!?”. Nessa insistência acabamos nos machucando ou enchendo o saco mesmo, porque a intimidade prévia abre prerrogativa pra a ex-figura se intrometer na sua vida sem limites.

Realmente, pra mim não dá.

O meu caso até que é diferente. A paixonite não evoluiu justamente porque o cara é um mala sem alça, e tempos depois foi tentada a tal da amizade falida. Olha, fica até parecendo pretensão minha e tenho a impressão que você pode pensar que me acho super legal. Não é bem isso. Eu apenas me considero uma não-chata. O sujeito é mesmo chato pra xuxu e quanto mais tenta parecer descolado, mais enjoado fica.

Cheio de cuidados pra não extrapolar, termina sempre extrapolando. Do tipo que escreve o que pensa e depois apaga pra não dar bobeira. Não assume nem que pode errar. Vaidoso como todo chato que se preza, não suporta ouvir crítica, nem disfarçada de piada. Tá sempre na nova onda alimentícia. Já foi vegetariano, vegan, raw vegan, macrobiótico, lactovegetariano, frugivorista, freegan e a lista não pára.

Competitivo ao extremo, entra em qualquer debate cheio de convicções. E por ser muito inteligente e talentoso acaba estourando o saco de qualquer cristão. Quando o romance havia começado ouvi de algumas pessoas que ele era um desmancha bolinhos e foi até apelidado de brócolis por um conhecido, mas ele está mais pra xuxu mesmo. Pois bem, hoje em dia não aguento xuxu nem com camarão.

Quem não está preparado pra ver a beleza diversa que o ser humano tem com seus erros e limitações não merece entrar na minha dieta.