Além de frases e dicas literárias publicadas na página do Facebook, somos apaixonados e apaixonadas pela escrita com idades, trajetórias e expectativas diferentes que, separadamente, registramos nossos devaneios. Se quiser fazer parte, envie para nós seu texto (oficinacompartilhada@gmail.com)! Os que forem escolhidos pelo grupo serão divulgados aqui na Oficina Compartilhada.

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Bem-vindos e Bem-vindas!! Saravá!

sábado, 10 de março de 2012

Ai

Que prazer ver cada ossinho, se esforçando por perfurar a pele. Esticando e desbotando o pigmento quase-mulato de tantas impurezas no negro-melancolia que recebe muito bem essas pontas. 
Que beleza sentir crescer músculos pequeninos por entre finas camadas de gordura saturada das recomendações do quê-não-comer. Empurrando redes de retenção que querem que tudo continue como sempre - mesmo que saibamos que o sempre é o entrevamento de nós.
Que emoção é torcer o joelho em pontilhados que veneram o tempo, que vergam o padrão e que casam com o sorriso de quem por muito passou e que passaria, ainda, por qualquer oportunidade.

Ai, partiu. Velou as pálpebras em palavras não correspondidas. Estavam no muro, estavam na pele, escritas em tinta de posse. Marcadas em seiva, choravam o meu não. Perdiam meu brilho, calavam a resistência, bandeiravam a vontade de um mim, que eu não sabia, que eu não conhecia, que eu não queria. Que esquivei.
Ai, o reflexo de meus olhos sem brilho. Calotas de um branco corroído, seco, avermelhado pelo abuso de pensar, e pensar, e tentar com um murro encaixar a última peça mal-feita do quebra-cabeça que criei.
Ai, as palavras que voltam chicoteando o meu sono. Perdido. Em voltas do couro no ar que estala quando a realidade se instala e ilumina a ponta da minha covardia, da minha fala-de-um-momento-eterno que não se traduz em tempo mas que pede pra voltar. A cada segundo.
A cada ai. Que me consome ao acordar, que enrola o pensamento em palavras-clichês do amar: te quero, te amo, te desejo, saudade.
Ai, dá dó de tantos acentos sem sentido, porquê não têm ação. Porque não querem atuar, porquê nunca quiseram... apenas elaboração de um tédio sexual por falta de perôba para abrir o nunca para qualquer um. Um olhar profundo que revela o raso do sentimento de permanência, afinal, só permanece o que é do destino. E o destino morreu com Marianne, o destino sangrou no termidor. E a oposição destino-acaso não mais fazem sentido, mesmo que um oceano impeça o toque, mesmo que correntes rompam o gelo, mesmo que a ignorância instaure o amor.

Maldita abstração que confunde o jovem coração, que inventa desafios de fé revolvendo túmulos de ancestrais. O que tenho hoje é só minha cara e ancas no espelho.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Desfolhando eu vôo

Aguardando o Outono chegar
Descasco

Desnudo e revelo
Nua

Inteira de mim
Crua

Fico à vista
No meio da rua


E acabo entregando mais do que quero

Sem farda, capuz ou fantasia
Pois o Carnaval já acabou

Mas enroupar-se é preciso

E o Inverno vem em mim
Como se fosse solidão



Até que a Primavera chega



E me acompanha ao Verão

sábado, 3 de março de 2012

Não sei o quê

Colérica, salta a veia na testa. A voz sai do peito e contrai a garganta.

Me canso, pestanejo nas hesitações, tombo os ombros sobre o tórax. Arco de corpo no torpor sem...

Ânimo, animo! Rasgo a pele com minhas costelas e suspendo a alma nos dedos do pé.

Em candura, desço à minha altura e abraço o coração... ao repousar a mão sobre o peito quente.

Na solidão, arranco goles do copo de aguardente e sorrio - desespero, ela mente - para avivar os olhos.

É noite, calor brando a lacrimejar a testa e deixar o corpo à espera de lençóis.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

This someone? It's not you.

Achei alguém melhor que você. E por que estou dando essa satisfação a mim mesma? Por que ainda não te esqueci? Por que quero em voz alta ouvir? Ou por que achei que não ia conseguir? A última é a resposta válida. Eu tinha certeza de que não conseguiria. E no entanto a vida é cheia de surpresas. Mas me engano. 

Apesar de ter conseguido, você está aqui, entranhado em mim. Estou impregnada de você. 

Cheia de ti até o pescoço, sem falar na alma.

Quando penso em vidas passadas e karmas e morte, penso em ti. Penso no todo que erramos e em tudo que deixamos. Penso nos erros, penso nos acertos, penso em todas as feridas. E penso na minha sorte. Sorte de poder seguir em frente e engolir todo o resto que está por vir. Penso muito e no entanto deveria pensar muito pouco. Sempre que penso realizo menos. 

Funciono melhor no instinto. 

Principalmente enquanto sorvo um vinho tinto.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Retorno

Parto em busca de esperança,
desafio avenidas, pessoas, tudo!
até o indizível absurdo...
Vou remando contra-a-dança.

Busco a esperança em vão,
de uma vida menos rude.
Propõe-me então que eu me mude,
para o lar de alguma religião.

Não desejo nenhuma moral,
eu quero o querer natural
e achar o lugar do mundo.

Solitário voo profundo,
impeli-me mais a voltar,
mas retorno a outro lugar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Devaneios

Saio entusiasmada pra escrever e me distraio com mensagens vituais
Serão elas reais?
Será que existo?

Tinha na cabeça a mensagem perfeita
Agora perdi
Puta merda

E a cerveja no fim

Medo de quê?
Medo da vida
Medo de morrer?

Preciso carregar meu caderninho com esse medo de morrer

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnavalização




Voa a pombinha apaixonada
Estala a boca em um desavisado

Olhos prendados
Fixam na presa
E debulham em serpentina

Moço pouco
No carnaval é rei
Purpurina-pó
de pirlimpimpim

Pomba moça posa
brilhando nos braços
De qualquer alguém

Voa a purpurina
Repentina cai em mim.