Rolava na cama e nada. Ficou com fome e resolveu comer duas bolachas salgadas com requeijão e uma fatia fina de peito de peru defumado. Já era tarde, mas com o estômago reclamando não tinha jeito, não conseguiria dormir.O exílio voluntário permitiu que ela se conhecesse melhor. Já não mais se incomodava com os longos dias consigo mesma. Mas com as noites sim... Já havia tentado de tudo, mas o quentinho do corpo do homem acamado fazia uma falta danada.
Rolava e nada... Vinham ideias na cabeça e ela acendia a luz de cabeceira para tomar notas. Fragmentos de contos, as bonequinhas do livro infantil, a consultoria sobre redes sociais, a estrutura do livro burocrático e até a assessoria política... Tudo girava e só não era pior do que enjôo de birita. “Saco!”, esbravejava em voz alta.
Acordava e tinha uma rotina boa: água, leitura, café, escrita, cozinha, escrita, lanche-almoço, leitura, exercícios, caminhada boa, lerê, lerê, banho, vinhozinho, leitura, escrita e, finalmente, beijo melado... Embora detestasse rotina, essa era a melhor delas.
Nada... E quando eram assim as noites mal dormidas, afogava-se num copo cheio de fantasias e deixava a madrugada tomar conta de seus devaneios até que conseguisse dormir.
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